Abstract:
A crescente fragmentação da atenção infantil tem se configurado como um dos principais desafios da educação contemporânea, manifestando-se por meio de comportamentos caracterizados pela agitação, impulsividade e dificuldade de concentração em atividades que exigem esforço cognitivo prolongado. Inserido em um contexto marcado pela hiperestimulação digital e pela ampla presença das tecnologias no cotidiano das crianças, o ambiente escolar enfrenta o desafio de promover processos de aprendizagem significativos diante de padrões atencionais cada vez mais influenciados pela cultura da imediaticidade. Nesse contexto, a presente pesquisa teve como objetivo investigar a contribuição das práticas de atenção plena (Mindfulness), associadas à sintonia entre professor e aluno, para o fortalecimento da atenção e da participação das crianças nas atividades pedagógicas. A fundamentação teórica articula contribuições da neurociência, dos estudos sobre Mindfulness, das discussões acerca dos impactos da era digital no desenvolvimento cognitivo e dos pressupostos da Pedagogia Ontopsicológica. Metodologicamente, a pesquisa foi conduzida a partir da abordagem Design Science Research (DSR), complementada pela pesquisa bibliográfica e pela escuta sensível, resultando na elaboração de um artefato pedagógico denominado Tempo de Ser: práticas suaves para nutrir o aprender. O artefato consiste em um guia de atividades voltadas à promoção da atenção plena no contexto escolar, contemplando práticas destinadas tanto aos estudantes quanto aos professores. Os resultados indicam que a inserção sistemática de estratégias de autorregulação, respiração consciente, silêncio e presença favorece a construção de ambientes de aprendizagem mais equilibrados, contribuindo para o desenvolvimento da atenção, das funções executivas e das habilidades socioemocionais. Conclui-se que a atenção plena constitui uma ferramenta pedagógica promissora para enfrentar os desafios impostos pela hiperestimulação contemporânea, promovendo não apenas melhores condições para a aprendizagem, mas também relações educativas mais conscientes, humanas e significativas.