Abstract:
O presente estudo investiga a interrelação entre o estilo de vida e a operabilidade do critério organísmico como princípio orientador nas tomadas de decisão de corredores amadores das cidades de Santa Maria, Uruguaiana e Porto Alegre. Fundamentado na ciência ontopsicológica, o trabalho aborda o corpo como uma fonte primária de conhecimento real e um mecanismo de autorregulação biológica e psicossomática. Metodologicamente, caracteriza-se como uma pesquisa aplicada, exploratória e de abordagem qualitativa com caráter comparativo. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário estruturado e semiestruturado, aplicado de forma online, obtendo a participação de uma amostra composta majoritariamente por corredores amadores com expressivo tempo de engajamento na modalidade e alta frequência de treinamentos semanais. Os dados discursivos foram submetidos à técnica de análise de conteúdo, enquanto as questões fechadas serviram para a caracterização do perfil dos respondentes. Os resultados empíricos revelaram um desconhecimento generalizado por parte dos participantes em relação à nomenclatura formal do conceito de critério organísmico. Todavia, a análise comportamental demonstrou a manifestação intuitiva dessa instância, evidenciada pela expressiva tendência dos corredores em flexibilizar a intensidade ou reduzir o ritmo dos treinamentos diante de sinais somáticos de dor, cansaço ou desgaste físico e emocional. No âmbito do estilo de vida, constatou-se que a busca por uma alimentação equilibrada e uma rotina de sono regular atua diretamente na preservação da sensibilidade somática necessária para decodificar os impactos do contexto ambiental e performar com saúde. Conclui-se que a prática da corrida de rua, quando mediada pela escuta ativa do corpo, transcende a repetição mecanizada dos treinos e atua como um vetor de saúde integral e homeostase, validando a indissociabilidade da unidade biológica, psíquica e espiritual do ser humano.